Ma vie en rose

De frente, de lado, de costas. En France.


terça-feira, março 22, 2005

Felicidade foi embora

De repente uma saudade de casa. Vontade de ter colo de mãe, as brincadeiras do irmão, a presença do pai, mesmo que às vezes indesejada. A casa amarela de grandes janelas brancas, o jardim nem sempre bem cuidado, mas constantemente florido.

Dezoito anos. Uma infância e uma adolescência inteiras em um mesmo lugar – o que me irritava profundamente. Por quantas vezes não desejei intensamente estar longe de lá. Mas guardo várias boas lembranças. O futebol no pátio com o Fê, as tardes no telhado (proibidas depois que começou a chover dentro de casa), os passeios de bicicleta, os banhos de chuva na volta do colégio, o cheiro de café pela manhã, as madrugadas de contos e poemas, a paixão pela música e pela literatura.

O mais interessante dessa saudade repentina é o artifício inconsciente de apagar as más recordações. Nessas horas de vazio e de ausência tenho vontade de voltar no tempo, reviver esses momentos tão comuns e implícitos na época; hoje tão importantes e vivos na memória. E a certeza de que o status da felicidade só é real quando ela já se foi.

"there she goes
there she goes again
racing through my brain
and I just can't contain
this feeling that remains"
(there she goes - Sixpence None the Richer)

2 Comments:

  • At 5:53 PM, Blogger Lella said…

    é tão bom lembrar e relembrar que eu tenho me questionado se existe lembranças ruins. acho que não.

     
  • At 6:49 PM, Blogger Dany Franco said…

    É que as lembranças ruins se transformam em trauma, Lella... :)

     

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