Ma vie en rose

De frente, de lado, de costas. En France.


quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Chega de choro

A pior sensação/situação do mundo, para mim, sempre foi a de ver minha mãe chorar. Ela, que é o símbolo de todo o esforço, dedicação e personalidade, acaba com qualquer tipo de defesa ou segurança minha quando está triste. Mas, no final de semana, tive o pior sentimento de todos os tempos ao ver meu pai chorando. Sempre tive uma relação complicada com meu pai: nunca tivemos muita afinidade um com o outro e já chegamos a ficar três anos sem trocar uma única palavra. Mas vejo que a gente vai crescendo, amadurecendo e, talvez, se tornando mais tolerante. Isso me levou a perceber, por exemplo, que sou extremamente parecida com ele.

No último sábado, quando chegamos ao hospital onde meu pai está internado, ele não conseguia falar direito, tinha os olhos marejados, e só depois de muitas tentativas conseguiu explicar o que tinha acontecido. Um residente idiota que havia passado pelo quarto teve a sensibilidade de comunicar, mesmo sem nenhum exame prévio, que meu pai tem, no máximo, dois meses de vida. Sinceramente, não me importei muito com o diagnóstico infundado, porque uma das minhas melhores amigas é recém-formada em Medicina e, nos últimos anos, ela já me conseguiu um câncer de útero, uma hepatite, uma anemia e um tumor na cabeça – este último na véspera da virada do ano. O que realmente me abalou foi ver meu pai chorando, situação tão inédita quanto inimaginável até então. Ele sempre foi aquele tipão que ouve muito sem nada responder, que esconde seus sentimentos, se finge de muralha, faz de conta que nada o atinge: até parece quem?

Naquele momento, me senti totalmente sem base, sem chão, sem referência, como se eu estivesse sozinha dali para adiante e nada, nem ninguém, me restasse. Lembrei de umas poucas vezes que admiti sentir falta do meu pai, aos quatro anos de idade, quando ele tinha viajado para um congresso em Joinville, e teve que voltar no meio da madrugada para casa de tanto que eu gritava e me esperneava de saudades dele.

Há quase sete anos eu nem moro mais em casa, venho mesmo só para visitar a família e as amigas, mas eu sinceramente preciso desesperada e urgentemente que ele volte. Talvez pela ilusão que dessa forma todos os problemas estarão resolvidos. Espero que ele não demore muito.

7 Comments:

  • At 1:57 AM, Blogger Alexandre said…

    O Saulo tem uma teoria que eu curiosamente carrego desde antes de conhecê-lo: no fim, tudo sempre (sempre!) dá certo.
    Força por aí, querida. Teus amigos torcem por ti.

     
  • At 9:06 AM, Blogger Diego Carrera said…

    Passei para dar uma olhada no seu blog e dei de cara com esse texto. Delicado, honesto, humano. Não poderia deixar de postar um comentário aqui, é a minha maneira virtual e minúscula de participar.

    :*

     
  • At 3:11 PM, Blogger Lu Thomé said…

    Força, Dany! Estou enviando o máximo de energias positivas para vocês aí! Qualquer coisa, por favor, por favor, por favor, me chama! Beijos, querida!

     
  • At 1:45 AM, Blogger Dany Franco said…

    :)
    Obrigada

     
  • At 2:46 PM, Blogger OgrO said…

    Ô, Danyyyy! Vc provavelmente não vai ler a resposta que eu dei ao seu comentário, então repito aqui: duvido você achar algo mais imbecil que aquele chaveiro detector de radiação!!

    Cara, mas que maus... não sabia do seu pai. Força aí, ãmiga. E qq coisa, me dá um toque. Beijão!!!

     
  • At 1:29 PM, Blogger Bianca said…

    tô rezando daqui. bibs

     
  • At 2:34 PM, Anonymous Julia said…

    Primitcha... espero qeu as coisas estejam melhores, quero te ver sorrindo, se respeite, sinta o que precisar sentir, viva este instante, participe, estou em silencio por não saber o que dizer... fica com Deus
    beijocas

     

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