Ma vie en rose

De frente, de lado, de costas. En France.


segunda-feira, setembro 21, 2009

Mim, Tarzan

Ou o meu nível de francês é caótico ou as pessoas detectam certa anomalia cerebral (inexistente, vamos deixar bem claro) quando falam comigo ao telefone. Porque, ao perceberem que eu sou estrangeira, cresce o volume da voz do meu interlocutor. O mesmo acontece com o intervalo entre as palavras, bem como sua extensão sonora. Queeee. Costumaaaa. Aaaaumeeentaaar.

Resumidamente, é como se eu estivesse falando com o Lombardi, mas no modo Jane versus Tarzan.

- (entonação normal) Centro de Saúde. Bonjour!
- Bonjour! Preciso fazer a aplicação de uma vacina que a minha médica receitou. Qual é o procedimento?
- (entonação Lombardi+Jane mode on) Vo-cê. Pre-ci-sar. Ir. A-té. O. Cen-tro. De. Sa-ú-de. Do. Cam-pus. En-ten-deu?
- Ok, passo essa semana lá, então.
- Por-que. Nos-sa. En-fer-mei-ra. Es-tar. Do-en-te. En-ten-deu?
- Sim, entendi.
- Vo-cê. Ter. O. En-de-re-ço. Do. Cen-tro. De. Sa-ú-de. Do. Cam-pus?
- Tenho sim, obrigada.
- 180. Rue. De. La. Pis-ci-ne.
- (Caralho, não falei que eu tinha?)
- Vo-cê. Com-pre-en-der. To-das. As. In-for-ma-çõ-es?
- Oui, oui.
- Qua-lquer. Dú-vi-da. Vol-tar. A. Te-le-fo-nar.
- Ok, merci, Lombardi! Câmbio e desligo.
- Pardon, Sílvioooooooooooooooo?
(tu, tu, tu, tu, tu...)

Mais tarde, precisei falar com um professor sobre os horários das aulas dele. Mas esse nem quis ouvir o que eu tinha pra dizer...
- Bonjour, Monsieur. Preciso saber o quadro de horário de suas aulas de francês para esse semestre porque sou estudante estrangei...
- (Lombardi+Jane mode on) Já. En-ten-der. O. Que. Vo-cê. Quer, Tarzan.
- ... geira. (Uau, o senhor lê pensamentos?)
- Pas-sar. Mi-nha. Sa-la. Quar-ta-fei-ra.
- Ótimo, passarei.
- Na. QUAR-TA-FEI-RA. En-ten-der?
- Sim, professor.
- QUAR-TA. FEI-RA!
- Professor, eu não sou surda.
- QUAAAAAARTAAAAAA-FEEEEEIRAAAAAA.
- Também não sou louca. (Quer dizer, né...)
- Vo-cê. En-ten-der. Tu-do. O. Que. Eu. Fa-lar?
- Ai, meu saco...

Agora começo a entender a finalidade do tradutor que os sogros me ofereceram antes da viagem ao Japão, sob a desculpa que serviria para petit-ami e eu nos virarmos com o japonês. O problema era que o troço só falava o purtuguês de Purtugal. E aí, nem o tradutor lusitano me entendia...

Agora vou ali no cantinho chorar, beijos!

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